
Os elementos de iluminação "inversa" (as luminárias inversas - IL, por oposição às luminárias diretas convencionais - DL) são essencialmente restrições ou constrições à verdadeira iluminação do espaço físico e devem ser criteriosamente definidas e parametrizadas. No fundo, funcionam como emissores de importância no design da iluminação, mas deve ter-se em atenção que um conjunto de luminárias inversas pode fazer com que não exista nenhuma solução fisicamente correcta para uma determinada cena (definida pela sua geometria e materiais). A equação fundamental da iluminação global pode ser escrita da seguinte forma [Gla95]:
Assume-se que se conhecem os materiais (a função f(wi,x,wo) - BDF, função bidireccional de reflectância e transmitância) e toda a geometria da cena não relacionada com as luminárias (a função de visibilidade G(x,y)).
Na nossa abordagem, as incógnitas são as luminárias Le(x,w) e a radiância L(x,w), começando a sua determinação através das distribuições inversas de radiância, geradas pelas IL's. O facto do princípio da sobreposição se poder aplicar aos casos mais frequentes de iluminação no mundo real permite decompor o problema em vários subproblemas inversos e tentar, a partir destes, reunir o conhecimento necessário e/ou suficiente para ajudar na procura da solução global.
A maior dificuldade reside em conhecer L(x,w) sem se saber quais são as luminárias reais (as DL's). Se existir uma boa estimativa de L(x,w), então determinar Le(x,w) reduz as dificuldades, e com esta informação poder-se-á tentar caracterizar as luminárias reais da cena, embora esta caracterização também envolva dificuldades consideráveis (há muitos graus de liberdade a explorar).
Sejam as distribuições esféricas de radiância
designadas
(x).
Quando essas distribuições estão associadas a IL's,
designam-se
i(x).
Se estão associadas a DL's, são denominadas
d(x).
As IL's podem ser basicamente de dois tipos:
em que kj representa um factor de escala da IL j.
A resultante
im(x)
é a distribuição de radiância mínima
a respeitar pelas luminárias reais (DL's), a fim de se obter os
níveis de radiância representados pelas IL's minorantes.
iM(x)
é a distribuição de radiância máxima
a respeitar pelas DL's.
Caso se pretenda validar um determinado design de iluminação,
com luminárias reais e materiais conhecidos, então determinando-se
d(x)
(distribuição de radiância devida às DL's) e
fazendo-se a combinação de
d(x)
com
i(x),
é possível validar ou não esse design
em que
Em(x)
e
EM(x)
representam os erros direccionais na adequação das radiâncias
real e inversa. Há uma violação das condições
de design se algum desses valores for negativo. Se
Em(x)
é positivo, pode significar que existe um excesso de iluminação;
se
EM(x)
é positivo, existe uma margem de manobra favorável na satisfação
dos objectivos de iluminação.
A análise das restrições associadas às IL's
pode ser feita para todas as direcções em volta do ponto
x, ou considerando quaisquer ângulos sólidos
iM(x,w,)
- por convenção, definimos
.
O interesse de usar ângulos sólidos é relevante para
restrições eminentemente direccionais (normalmente associadas
a ofuscamento, por exemplo). O efeito das IL's pode ser quantificado através
da determinação das distribuições esféricas
de radiância em qualquer ponto, as quais servirão como ferramenta
básica para atingir os objectivos pretendidos.
Quando não se conhece Le(x,w)
nem L(x,w),
d(x)
não é imediatamente calculável, pelo que é
necessário encontrar um processo alternativo aproximado (mas que
possa convergir para a solução sob controlo do utilizador).
Todas as distribuições de radiância são fontes
de informação que podem ser usadas para extrapolar
d(x),
incluindo as IL's, mas poderão não ser suficientes para essa
busca.
Assim, tendo em conta alguns princípios de design de iluminação
e regras arquitectónicas e luminotécnicas, somente algumas
regiões do espaço da cena serão relevantes para a
localização de potenciais DL's. A componente difusa de
(x)
é muito importante, dado que fornece informação sobre
como a radiância se espalha pela cena, pelo que a conjugação
de
i(x)
com luminárias pontuais de amostragem selectivas
a(x),
nas regiões pré-definidas de localização, poderá
ajudar a definir uma posição inicial para as DL's (
d(x)).
Algumas técnicas de investigação operacional poderão
ser empregues na procura desta solução, dado que este problema
pode ser considerado como a minimização de uma função
multi-dimensional complexa. Depois de se ter definido a localização
mais provável de DL's abstractas (tipo omnidireccionais), coloca-se
a questão de definir as distribuições reais de emissão
(características físicas das luminárias), eventualmente
tentando categorizar em luminárias padrão (esféricas,
paralelipipédicas, com ou sem armaduras, dispositivos reflectores,
etc).
Mas também é possível extrapolar informação
sobre a melhor localização de DL's unicamente a partir de
IL's. Supondo que se gera um conjunto de amostras
ia(x),
a partir de IL's, numa região do espaço onde se pretendem
colocar DL's, pode-se, para cada ponto x, definir uma importância
"pesada"
em que fl(a) é uma função angular de distribuição de emissão luminosa (própria de um tipo de luminária existente, por exemplo), Lia(x,w) é a radiância inversa calculada e Gl(w,z,theta) uma função puramente geométrica (1 se z estiver dentro do ângulo sólido theta em volta de w, senão 0). O integral pode ser aproximado por
A quantidade escalar IMP(x,w,theta,fl) (um campo escalar de seis dimensões, para uma dada fl) pode ser considerada como uma superfície de importância, fixando-se uma coordenada posicional (normalmente aquela associada à altura), a direcção e o ângulo sólido e deixando variar as restantes coordenadas posicionais. Curvas de nível desta superfície representarão pontos nesse plano (a essa altura) com a mesma importância. Se for definida uma condição limiar IMP(x,w,theta,fl)>IMPlimiar, então a curva de nível associada a IMPlimiar representa as fronteiras das regiões desse plano onde a condição é satisfeita. O facto de um ponto ter um valor de IMP(x,w,theta,fl) superior a outro significa que é mais importante para a IL em causa. Uma condição IMP(x,w,theta,fl)>IMPlimiar pode ser associada a luminárias minorantes, em que se pretende garantir um valor mínimo de radiância incidente; uma condição contrária será relevante para luminárias majorantes.
A quantidade IMP(x,w,theta,fl) também pode ser analisada fixando-se x e theta, obtendo-se, neste caso, uma distribuição esférica de importância, dependente do modelo fl de distribuição de emissão escolhido. Ou então, fixam-se todos excepto theta, o que permite conhecer o melhor ângulo sólido de emissão a usar, para uma certa fl.