Design de Iluminação [3]
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3. Implementação
Uma das vantagens desta abordagem é a sua independência em
relação a programas computacionais de cálculo de iluminação
global, excluindo-se aqueles que não cumprem requisitos fundamentais.
Alguns desses requisitos são:
-
inexistência de restrições de materiais (nomeadamente
especulares ou translúcidos)
-
cálculo de radiância em qualquer ponto e direcção
-
determinação da componente difusa indirecta em qualquer ponto
numa superfície
Qualquer programa que cumpra pelo menos estes requisitos pode ser usado
como motor de cálculo na nossa abordagem. O software RADIANCE
[War94] é actualmente considerado dos melhores
no âmbito da simulação da iluminação
global. Saliente-se que quase todos os programas de EF existentes (na maioria
baseados em radiosidade) não cumprem as especificações
necessárias para servir de motor de cálculo à nova
abordagem, excepto aqueles que usam radiosidade e wavelets (porém,
gastam muito tempo de processamento).
O RADIANCE exige que as amostragens para cálculo de iluminação
sejam feitas com um número elevado de amostras, a fim de se conseguir
uma variância baixa no cálculo e de se poder garantir níveis
de erro aceitáveis. Verificou-se que 512 amostras geravam resultados
satisfatórios. Porém, não existe ainda um método
analítico para conhecer os erros de aproximação durante
os cálculos de iluminação. Este é um tópico
que merece mais investigação dada a sua importância.
Apesar da aplicabilidade da nova abordagem pretender ser geral, parece-nos
importante concentrar a sua aplicação a espaços de
trabalho convencionais tipo escritório, para os quais existem métodos
empíricos que podem servir como comparação [Leu94]
[Lup96].
3.1. Dados de Entrada
A entrada de dados realiza-se através da definição
de luminárias inversas (IL's) na cena, o qual é feito através
de um interface gráfico interactivo que mostra a geometria da cena
e permite esse tipo de interacção. Assume-se na nova abordagem
que a geometria da cena e os materiais são predefinidos e que não
são o objectivo da simulação em si. As IL's podem
ser de dois tipos básicos (pontual ou de área, Figura 2).
Posteriormente, poderá ser relevante definir outro tipo de objectivos,
mais relacionados com a experiência prática dos especialistas,
tais como critérios de conforto visual, níveis de iluminação,
normas, etc.
a) Pontual - b) Área
Fig. 2 - Tipos de Luminária Inversa (IL)
A existência prévia de luminárias convencionais
(DL's) numa cena em estudo é também um aspecto importante
a ter em conta. O simples facto de existirem inicialmente DL's influencia
a satisfação dos objectivos de iluminação e
pode até colidir com eles. A definição das IL's (os
objectivos de iluminação pretendidos) tem de ser monitorizada
no sentido de despistar imediatamente situações fisicamente
impossíveis. Esta impossibilidade pode ser resolvida sugerindo a
utilização de dispositivos geométricos bloqueadores
ou direccionadores. Note-se que a determinação de novas luminárias
da cena é altamente influenciável pelas DL's iniciais existentes.
3.2. Simulação da Iluminação Inversa
Conhecidos a geometria, materiais da cena e luminárias inversas,
procede-se, nesta fase, à simulação da iluminação
global inversa. O resultado é um conjunto de pontos sobre a geometria
da cena que contém, para cada IL, a sua distribuição
esférica de radiância, assim como informação
adicional (gradientes de variação da irradiância, etc).
Previamente, podem definir-se zonas de interesse e somente nessas zonas
será efectuada a simulação e a geração
de informação para as fases seguintes. Esta fase tem de ser
calculada através de iluminação global, no caso geral,
podendo ser efectuada por algoritmos simplificados tipo radiosidade para
ambientes totalmente difusos.
3.3. Análise da Iluminação Inversa
Depois de calculados os efeitos das IL's sobre a cena, vários tipos
de análise podem ser realizados. Se existem DL's a validar, a combinação
destas com as IL's pode ajudar a validar a solução de iluminação,
usando para esse efeito pontos escolhidos da cena. A análise de
distribuições de radiância inversa permite a detecção
de situações potenciais de ofuscamento, sobre-iluminação,
etc. A determinação de regiões mais importantes para
a colocação de DL's é também um resultado interessante,
sobretudo se, nessa determinação, for levada em conta a distribuição
emissora característica de diferentes tipos de luminárias
(reais ou não).
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