Para mostrar alguns passos desta abordagem, usaram-se duas cenas, uma mais simples que mostra como se pode validar uma solução pré-definida e a outra mais complexa, em que pouca informação é conhecida à partida.

Nesta cena consideram-se dois pontos particulares (ponto A - acima do
tampo da mesa, perto do ecrã VDU; ponto B - acima do tampo, perto
do rosto do corpo). A Figura 4 mostra
d(x)
e
in(x)
no ponto A. Para o mesmo ponto, mostram-se na Figura 5 as possibilidades
de combinar as diferentes distribuições (a normal e as inversas),
de modo a poder avaliar a validade radiométrica. A superfície
cinzento-escura representa a restrição minorante do tampo
(radiância superior a certo valor,
Em(x)),
representando as superfícies cinzenta e cinzento-clara restrições
majorantes (radiância inferior a certo valor,
EM(x)),
respectivamente para o rosto e ecrã VDU.



Na Figura 5, a Escala de Radiância representa o factor de escala aplicado à emissão das DL's. O Erro está expresso em permilagem e representa a fracção de direcções amostradas no ponto em análise cuja radiância real escalada das DL's não respeita a restrição. Da análise desta figura ressalta a maior importância da restrição rosto, o qual limita claramente as hipóteses de experimentação.
Exemplo: tampo>40Wm-2sr-1, rosto<50Wm-2sr-1 e ecrã VDU<30Wm-2sr-1
Para o caso do tampo, usa-se a linha de Radiância 40Wm-2sr-1 para procurar a menor Escala de Radiância que gera um erro desprezável (valor 3). No caso do rosto, a linha de Radiância 50Wm-2sr-1 é usada para determinar a maior Escala de Radiância (valor 3.5). Existem muitas soluções para esta combinação; por exemplo, basta multiplicar por um factor de 3 a radiância emitida pelas luminárias reais para satisfazer todas as restrições.
Na Figura 6 mostram-se as combinações de distribuição para o ponto B. A restrição ecrã VDU volta novamente a revelar-se menos importante do que as restantes.

Se, de acordo com o exemplo, fosse pretendida uma radiância no tampo (superfície cinzento-escura) superior a 100Wm-2sr-1, então o factor multiplicativo deveria ser pelo menos 4.5. No entanto, dado que a face (superfície cinzenta) exige que esse factor não ultrapasse 3.5, esta situação não pode ser satisfeita directamente. Assim, o conflito pode ser resolvido por uma de três vias:
Todos os materiais têm superfícies essencialmente difusas. Pretende-se estudar a localização de luminárias partindo dos objectivos de iluminação. Numa das simulações foram inseridos modelos simplificados do corpo humano, como no exemplo anterior.

Foram considerados dois objectivos:
Assumindo, na equação (5), que fl(a)=1, ie, que as DL's emitem energia luminosa independentemente da direcção de emissão, vem que
ie, IMP(x,w,,fl) é proporcional ao somatório das amostras de radiância inversa dentro do ângulo sólido considerado. Este exemplo foi calculado com fl(a)=1, para simplificar os cálculos.
Utilizou-se uma grelha rectangular de pontos espaçados de 0.5m para a amostragem, a várias alturas. Para cada ponto desta grelha, usaram-se vários ângulos sólidos (aberturas de 30º, 90º e 140º), direccionados para baixo, de modo a obter um valor escalar (importância) para cada ângulo sólido considerado. A Figura 8 mostra um dos resultados dessas operações.


A análise combinada de duas dessas superfícies (uma associada aos tampos e outra aos rostos) permite, através da utilização de curvas de nível associadas à altura, conhecer as zonas mais influenciadas por cada IL, de acordo com o ângulo sólido escolhido. A Figura 9 (ângulo sólido 90º) mostra, a traço grosso, as regiões que satisfazem vários limiares de importância (cinzento-escuro 50%, cinzento-claro 75%), para o caso dos tampos. A traço fino mostram-se as regiões correspondentes para os rostos. Como se conclui, a região central é a mais importante. O efeito mais negativo dos rostos manifesta-se no espaço entre tampos. Na Figura 9a visualiza-se a posição das curvas de importância na geometria da cena, sendo semelhante para as restantes figuras com curvas de importância.

A Figura 10 mostra as regiões de importância para um ângulo sólido de 90º, a 2.2 e 2.7m de altura. Note-se que a 2.7m a localização de DL's está restringida a uma região menor, mas a importância dos rostos é ligeiramente maior.

Destes gráficos resulta que o local "apropriado" para colocação de DL's parece ser perto do tecto, directamente por cima dos grupos de tampos, em grelha 3x2.
Na Figura 11 mostram-se imagens fotometricamente realistas, em que para as DL's se experimentaram três tipos de luminárias, posicionadas nas regiões "recomendadas":


As imagens parecem concordar com os objectivos definidos a priori, ie, a distribuição luminosa nos tampos (plano de trabalho) parece ser homogénea e sem grandes zonas de sombra ou penumbra.

As luminárias simuladas são modelos de luminárias comerciais, respectivamente IES32, IES12 e IES32 para as imagens das Figuras 11 e 12.
Foram realizadas simulações directas de iluminação global para verificar se a radiância reflectida pelos tampos possuía variações significativas. Assim, um plano imaginário foi colocado 2cm acima dos tampos (altura 0.88cm) e determinaram-se distribuições esféricas de radiância e curvas de nível de importância numa grelha rectangular de pontos nesse plano.


Da análise da Figura 13 (as curvas de nível exteriores representam 40% e as interiores 70%) evidencia-se que: a radiância vinda de baixo do plano imaginário, integrada segundo a equação (6) e usando diferentes ângulos sólidos, tem uma distribuição regular; as zonas mais iluminadas situam-se nos centros dos tampos; não existem fontes inesperadas de radiância debaixo desse plano.
Uma conclusão mais qualitativa é que o arranjo de luminárias reais em grelha 3x2 é adequado para a geometria da cena e para os objectivos de iluminação especificados. Em termos de conforto visual, é importante salientar que, em posição normal de trabalho e olhando para o tampo da mesa respectiva, não são detectadas zonas de contraste elevado no plano de trabalho causadas por penumbras, sombras ou reflexões especulares.